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Publicado em: 7/12/2010

Hemograma: que exame é esse?

Saiba qual a função deste exame e quais informações ele traz ao seu médico e a você

Por Dra. Lygia G. Bruggemann Peters
SXCartigo_lygia_01.jpgNo hemograma são analisados os glóbulos vermelhos (hemáceas), os glóbulos brancos (leucócitos) e as plaquetas.

Você já deve ter feito muitas vezes um exame que todos os médicos solicitam aos seus pacientes: o hemograma. Mas você sabe para que serve esse exame?

Pois bem, vamos falar então sobre a importância de tal exame, que informações ele traz ao médico e, principalmente, ao médico Hematologista / Hemoterapêuta. Tal especialidade, que exige 4 anos de treinamento após o término da faculdade de medicina, atua avaliando alterações ou doenças que ocorrem no sangue. Tais problemas, na sua grande maioria, podem ser inicialmente avaliados a partir de um simples hemograma. Este é realizado no sangue, precisando portanto, de uma coleta de sangue através de uma punção de uma veia (normalmente dos braços). O exame não exige jejum e pode ser coletado em qualquer horário do dia ou da noite.

 

Algumas alterações consideradas fisiológicas podem ser observadas num hemograma de rotina. Podem não representar nenhum problema. Para evitar tais alterações sugere-se ao paciente que preferencialmente colete o exame após repouso, evite estar em uso de medicamentos ou informe-os ao laboratório na hora da coleta quais estão sendo utilizados. Sugere-se, também, sempre que for solicitado, que o médico justifique a necessidade do mesmo, pois isso poderá auxiliar muito na interpretação dos resultados.

 

A amostra do sangue coletado é armazenada em um frasco específico contendo uma substância  anticoagulante. Em seguida, é analisada num primeiro momento por uma máquina automática: o contador de células. Esse equipamento, se mal calibrado, pode ser causa de erros nos resultados.

 

A contagem das células é feita separando-se os elementos ou células do sangue que devem ser  analisados. Tratam-se dos glóbulos vermelhos ou hemáceas, os glóbulos brancos ou leucócitos e as plaquetas.

 

É possível quantificar todas essas células, bem como analisar se há alterações na forma, no tamanho ou se há elementos ou células estranhas na amostra. Um profissional treinado, podendo ser um hematologista ou um bioquímico (ou ambos), fará a análise do sangue em microscópio, para então, liberar o resultado impresso como conhecemos.

 

Glóbulos vermelhos - Os glóbulos vermelhos ou hemáceas contém uma proteína no seu interior chamada de hemoglobina, que é a substância capaz de transportar oxigênio para todo o nosso corpo. A quantidade, tanto das hemáceas quanto da hemoglobina, variam de acordo com a idade e o sexo. Um recém nascido tem normalmente uma quantidade elevada de hemáceas. Uma mulher adulta tem, normalmente, uma quantidade mais baixa de glóbulos vermelhos que um homem da mesma idade. Isto não significa, necessariamente, que exista algum problema.

 

Anemia - Quando a pessoa tem níveis  abaixo do valor normal de hemáceas para sua idade e sexo, tem um problema conhecido como anemia. A anemia é  manifestação de algum distúrbio, que sempre necessita ser avaliado. Existem várias situações corriqueiras que causam baixa no nível de hemáceas. Podemos citar, como exemplos, uma alimentação pobre em alimentos ricos em ferro, até sangramentos menstruais abundantes. Portanto, anemia não é uma doença, mas a manifestação de alguma doença. A partir do achado de anemia em hemograma é possível iniciar toda uma investigação, que poderá revelar problemas de saúde muito simples até doenças mais graves.

 

Lembramos que anemia não é sinônimo de leucemia. Frequentemente paciente com leucemia tem anemia, mas o contrário não é verdadeiro na grande maioria das vezes. A maior parte dos casos de anemia não são, nem nunca serão, leucemia.

 

Existem, também, situações em que há excesso de glóbulos vermelhos, ou seja, quantidade acima do normal para aquela idade ou faixa etária. Uma situação bastante comum, onde pode-se observar tal elevação, são naqueles indivíduos tabagistas. Existem no entanto, várias outras doenças que cursam com elevação no número dos glóbulos vermelhos e sempre deverão ter uma avaliação especializada de um hematologista.

 

Glóbulos brancos - Os glóbulos brancos ou leucócitos são nossas células de defesa contra  as infecções. É comum observarmos um aumento na quantidade dessas células ou até uma diminuição quando estamos com alguma infecção. É um evento considerado fisiológico. Inclusive poderá orientar o médico quanto à gravidade ou não da infecção.

 

Um achado muito comum nos hemogramas é o que chamamos de leucopenia, ou leucócitos baixos. Nos pacientes com câncer, em tratamento com quimioterapia, é freqüente o acompanhamento com hemogramas, pois os leucócitos, entre as aplicações, podem diminuir expressivamente, já que são células muito sensíveis. Assim, tal controle é fundamental. Várias outras situações podem cursar com diminuição constante e prolongada no número de glóbulos brancos do sangue, e devem sempre ser analisadas.

 

Outra alteração que podemos observar com os leucócitos se refere a um aumento na sua quantidade, que se for de modo prolongado, normalmente estará  relacionado a algum problema na “medula óssea” ou fábrica do sangue. A medula óssea esta localizada no “tutano dos ossos “. Nessas situações doenças como a Leucemia deve sempre ser pensada, e um hematologista sempre deverá ser consultado.

 

Plaquetas - O último, mas não menos importante elemento analisado pelo hemograma, são as plaquetas. Plaquetas são células que participam da coagulação do sangue. Sempre que existe diminuição em sua quantidade, principalmente  valores abaixo de 30.000 (normal varia de 140 a 400 mil plaquetas), existe sangramentos em pele (manchas roxas), gengiva, nariz, espontaneamente ou por pequenos traumas. A plaquetopenia (=plaquetas em contagem inferior ao valor normal) é uma alteração bastante freqüente, e sempre estará relacionada com alguma causa. Ou seja, sempre existirá alguma justificativa ou problema para tal alteração.

Elevações no número das plaquetas, além do normal, não são muito comuns, mas podem ser responsáveis pela formação de coágulos na circulação, produzindo tromboses ou derrames.

 

O aumento na quantidade das plaquetas também deve ser sempre avaliada, pois várias doenças hematológicas e não hematológicas podem causar tal alteração.

Como podemos ver, um exame tão simples e de fácil acesso a praticamente todas as pessoas, é capaz de trazer uma série enorme de informações que poderão auxiliar o médico a avaliar melhor seu paciente. Além disso, é capaz de auxiliar, e muito, no diagnóstico de várias doenças, que sem o hemograma, seriam muito mais difíceis de serem diagnosticadas.

 

O médico Hematologista/Hemoterapêuta é o profissional com formação especializada nas áreas de terapia transfusional, transplante de medula óssea, tromboses e doenças do sangue e da coagulação. Seu médico poderá encaminhá-lo a esse especialista sempre que houver necessidade e, na grande maioria das vezes, um simples hemograma pode ser o primeiro sinal para o encaminhamento.

 

Portanto fique atento! Faça pelo menos uma vez ao ano um hemograma. Também é importante lembrar que não há necessidade de repetí-lo frequentemente caso o resultado esteja normal.



Dra. Lygia Goretti Bruggemann Peters - CRM 3578
Médica Hematologista-Hemoterapeuta




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